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sábado, junho 15

O PATO, A MORTE E A TULIPA



Hoje, levei Giovana para assisitr "O pato, a morte e a tulipa", peça infantil,  baseada no livro com mesmo título do escritor e ilustrador alemão Wolf Erlbruch.
A peça foi encenada no teatro do SESI (Sorocaba), e tem última apresentação amanhã, ás 16h.
Produzida pela Cia. De Feitos, a história fala da aceitação da morte, de forma delicada, contanto a história de amizade entre um pato e a morte. Uma fala em especial, eu guardei; "quem fala da morte, ensina sobre a vida", o bastante pra começar a procurar este livro pra comprar. Abraço a todos, um bom inverno.




quinta-feira, agosto 9

QUINTA - FEIRA...


Capítulo I - Palavra escrita em uma página branca

...Casualmente, tinha os olhos baixos, e assim os levou maquinalmente ao lugar em que parara a menina. Dois pezinhos aí estavam e ao lado deles a palavra escrita por ela: Gilliatt.
Era este o nome dele.
Chamava-se Gilliatt.
Ficou por muito tempo imóvel, contemplando o nome, os pezinhos, a neve; e depois continuou pensativo o seu caminho.

Victor Hugo - Trabalhadores do Mar.

segunda-feira, agosto 6

DICKON HINCHLIFFE



"As vezes eu fico pensando que gostaria de conhecer a natureza dos pensamentos noturnos. São parentes próximos dos sonhos. As vezes sou capaz de direcioná-los, outras vezes eles tomam seu rumo e se acometem sobre mim como cavalos fortes e descontrolados." (Steinbeck)

Folheando hoje " O Inverno da nossa desesperança" (Steinbeck), lembrei desta canção, deu um pouco de trabalho pra saber quem era o compositor, mas valeu a procura, completamente encantada pela obra de Hinchliffe.

domingo, agosto 5

DOMINGO


" A sabedoria só pode ser obtida sob o ponto de vista da solidão".

Jack Kerouac -Viajante Solitário.

sexta-feira, junho 22

ENTERREM MEU CORAÇÃO NA CURVA DO RIO

Foto: E. S. Curtis
"Eles nos fizeram muitas promessas, mais do que posso lembrar, mas nunca as cumpriram, menos uma: prometeram tomar nossa terra e a tomaram".



domingo, maio 27

LEITE-BAR KOROVA


"É um livro" disse eu."Você está escrevendo um livro" Eu falava com uma golósse bem grosseira." Eu sempre tive a maior admiração por quem sabe escrever livros" Então eu olhei p'ra folha de cima e tinha o nome - A LARANJA MECÂNICA - e eu falei: "Esse título é bastante glupe. Onde é que já se viu uma laranja mecânica?" Então eu li um malenquinho, com uma golósse meio aguda, que nem de pregador: "... A tentativa de impor ao homem, criatura superior e capaz de doçura, a fluir suculentamente, na última fase da Criação, dos cantos dos lábios barbudos de Deus, tentar impor, digo eu, leis e condições apropriadas para uma criação mecânica, contra isto eu levanto a minha pena-espada."O Tapado fez o velho som de língua no beiço com essa eu também tive que esmecar. Então, comecei a rasgar as folhas e espalhar os pedaços pelo chão ... / ...Primeiro o punho esquerdo, depois o direito, de modo que o nosso amigo, o vermelho, vermelho vino de primeira casta e o mesmo em todos os lugares, como se fosse produzido pela mesma grande firma, começou a escorrer e a manchar o lindo tapete limpo e os pedacinhos do livro dele que eu continuava rasgando."

"O dia era muito diferente da noite. A noite pertencia a mim e meus drugues..."

"Vai ser a sua própria tortura" disse ele sério."Espero em Deus que te torture até a loucura."Então, antes que ele me dissesse, eu sabia o que era. A ptitsa velha que tinha aqueles cótes e cóchcas tinha passado desta para melhor, em um dos hospitais da cidade. Eu tinha rachado assim com força demais. Ora, ora. Agora eu já tinha feito de tudo. E só estava com quinze anos."

"Ser bom pode não ser agradável, 6655321. Pode ser horrível, ser bom..." pg. 104, leia é o trecho mais belo do livro!

(Laranja Mecânica- Anthony Burgess).



domingo, dezembro 18

O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS




Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão, tipo água, pedra, sapo. Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim esse atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios: amo os restos, como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: sou da invencionática... Só uso a palavra para compor meus silêncios. 




 

segunda-feira, outubro 3

DISTRAÍDOS VENCEREMOS

A LUA FOI AO CINEMA

A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava para ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!

Paulo Leminski.


sábado, outubro 1

ADIVINHA QUANTO EU TE AMO



Em minhas búcolicas incursões aos labirintos dos sonhos (sebos), tenho encontrado grandes alegrias; Corações Sujos (Fernando Moraes),  Le Rêve (Émile Zola), revistas antigas de moda, cartas de vinhos, quebra-cabeças e cds com músicas infantis beeeeeeeem diferentes... Entretanto, dois livros tornaram-se uma verdadeira odisséia, para encontrar... Primeiro: A casa do João de Barro (????), e "Adivinha o quanto eu te amo" (Bratney)... O primeiro faz parte da minha infância, é um livro lindo, que eu ganhei no inverno dos meus cinco anos, da minha irmã... O segundo conheci, quando trabalhei no "Projeto Biblioteca Viva" no Hospital Regional (Sorocaba), já adulta... Era meu livro preferido, em qualquer ala, para qualquer idade, ele funcionava... ao fechá-lo era só esperar; o sorriso silencioso, as mãozinhas voltando a folheá-lo, um suspiro doce... Lembrando agora, foi uma fase linda da minha vida, quando trabalhava de voluntária lendo para as crianças, o meu era o último turno, logo eu não levava as crianças para sala de brinquedos, lia nas camas, para aquelas que ainda estavam acordadas...
Bom, mas voltando... Achei o livro!!!!!!!!!!! Ai, que alegria!!!!!!!!! Não, não no sebo, heis o endereço: http://www.itau.com.br/  (lado esquerdo da página- Itaú criança). É um projeto do banco Itaú, onde você se inscreve e ganha três livros gratuitamente (isso mesmo!!!!), para ler para as crianças; "Adivinha quanto te amo ( Bratney), Chapeuzinho Amarelo (Chico Buarque) e Festa no Céu (Angela Lago) ... Peça, o seu também!!!! Talvez demore um pouco pra chegar, pois o correio esta em greve, mas acredite, vale a pena esperar... Um ótimo final de semana, crianças!







sábado, setembro 24

UN SAMEDI MATIN


...

Aujourd'hui l'espace est splendide !
Sans mors, sans éperons, sans bride,
Partons à cheval sur le vin
Pour un ciel féerique et divin !


(Le vin des amants -  Les Fleurs du mal/  Baudelaire)  


quarta-feira, julho 20

CANTARES DE SALOMÃO

ז מים רבים לא יוכלו לכבות את האהבה ונהרות לא ישטפוה אם יתן איש את כל הון ביתו באהבה--בוז יבוזו לו 
(Cant.8;7.)

Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.
Qual o lírio entre os espinhos, tal é meu amor entre as filhas.
Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos; desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar.
Levou-me à casa do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor.
Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque desfaleço de amor.
A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abrace.
Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira.
Esta é a voz do meu amado; ei-lo aí, que já vem saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros.
O meu amado é semelhante ao gamo, ou ao filho do veado; eis que está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, espreitando pelas grades.
O meu amado fala e me diz: Levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem.
Porque eis que passou o inverno; a chuva cessou, e se foi;
Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra.
A figueira já deu os seus figos verdes, e as vides em flor exalam o seu aroma; levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem.
Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e a tua face graciosa.
Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor.
O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios.
Até que refresque o dia, e fujam as sombras, volta, amado meu; faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes de Beter.
(Cant. 2)
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Se me dessem uma única escolha, de um único livro pra vida toda, escolheria Cânticos...


segunda-feira, junho 20

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO


"Ó, maravilha!Que adoráveis criaturas aqui estão! Como é belo o gênero humano! Ó ADMIRÁVEL MUNDO NOVO. Que possui gente assim"

O último livro de William Shakespeare, foi "A Tempestade" (leiam é esplendoroso!!!) e a frase acima Huxley, emprestou de Miranda (persongem) entitulando assim sua obra... Estou na metade, e só semana que vem retomarei, mas é que estou escrevendo um artigo sobre a Crise da Razão Moderna, e achei graça de um tema tão atual, estar detalhado em um livro de 1969...
Bom, hoje quase sem dormir, não passo de uma Ípsilone, sem "SOMA"...rs...
Ah, mais uma vez, agradeço de público, ao meu grande amigo Júnior! Caro, amigo depois de Trabalhadores do Mar e Fausto, Admirável Mundo Novo, já está na lista dos melhores livros que já li! Valeu, devolvo, logo!!!!


sexta-feira, maio 27

UM MUNDO DE MEMÓRIAS E INVISIBILIDADES

 Edmilson Ribeiro (1)
Até então, sempre olhei o cotidiano como algo frequentemente cheio dele mesmo. Na palavra culta, cotidiano é algo que se faz todos os dias, o que acontece habitualmente, a monotonia do cotidiano.
Tive uma semana surpreendente. Fiz o que não devia fazer (ou deveria ter feito há tempos): não li Foucault - até os meus quarenta e sete anos de vida, ele não existia. Procurei por Hannah Arendt e subjuguei-a por seus escritos. Dediquei a observar atentamente suas fotos, seus retratos que tinham marcas de um cotidiano de não-história.
Sem nenhum remorso troquei Gilles Delleuze pelos saberesmultiplos(2) de Nilda Alves e Regina Leite Garcia, que muito contribuíram para que as pessoas e suas vidas cotidianas, suas trajetórias e suas narrativas ganhassem o merecido destaque no espaço acadêmico. Esse olhar diferenciado pode ser visto nesta representação escrita com características líquidas: nem artigo, nem crônica, só escrita. Letras preenchendo o cotidiano da folha.
Quis trazer para este lugar escritolido a relação de espaço e cotidiano fundamentada em Michel de Certeau:

“O cotidiano é aquilo que nos é dado cada dia ( ou que nos cabe em partilha), nos pressiona dia após dia, nos oprime, pois existe uma opressão do presente. Todo dia, pela manhã, aquilo que assumimos, ao despertar, é o peso da vida, a dificuldade de viver, ou de viver nesta ou noutra condição, com esta fadiga, com este desejo. O cotidiano é aquilo que nos prende intimamente, a partir do interior. É uma história a meio de nós mesmos, quase em retirada, às vezes velada.
Não se deve esquecer este “mundo memória”, segundo a expressão de Péguy. É um mundo que amamos profundamente, memória olfativa, memória dos lugares da infância, memória do corpo, dos gestos da infância, dos prazeres. Talvez não seja inútil sublinhar a importância do domínio desta história "irracional” ou desta “não-história”, como o diz ainda A. Dupront. O que interessa ao historiador do cotidiano é o invisível...” (CERTEAU , 1996:31)

Assim, deixo de pensar “sobre” o cotidiano e entrego-me as sensações do “estar com” o cotidiano. O que realmente importa é a busca significante do invisível. É por reconhecê-lo como tempo/lugar dos conflitos racionais e irracionais de nossa contemporaneidade e dos sujeitosindividuaiscoletivos (3).
Outra idéia que nos parece fundamental nas pesquisas tem a ver com a dimensão “do lugar”, “do habitado”, “do praticado”, “do vivido”, “do usado”. Lefebvre sugere a exploração do repetitivo e busca a compreensão de como re-começam, re-criam, re-tomam as condições reprodutoras de sua invisível história e que o re-começar não é apenas repetir o já conhecido, mas sim re-ver o que nos parecia perdido na insignificância.
O que de tanto fazermos, não percebemos? O que apesar de tantas dificuldades e condições adversas conseguimos mudar? É necessário o abandono dos processos de classificar, separar, juntar, afastar-se do olhar panóptico e mergulhar no mundo. Só assim será possível entender o usuário destes espaçotempos (4) e o que fabrica os seus objetos, sugere Nilda Alves.
A física moderna estabelece que todos os objetos escorregam em um mesmo tobogã, ou seja, fazem a mesma curva no espaço-tempo. Assim, a análise dos corpos em queda mostra que espaço e tempo não são meros símbolos, mas participantes ativos do cotidiano do mundo físico. Espaços invisíveis, onde se empurram, freiam ou deixam rolar os objetos. Invisibilidade que determina os movimentos.
Enxergar esse espaço transversal invisível do cotidiano é reconstruir uma história a meio de nós mesmos. É lançar o olhar sobre esse universo neutrino que traz consigo cheiros, saudades, lágrimas, afeto, raiva, conhecimento, marcas e interferências.
Não há espaço vazio, relembra Mayumi Souza Lima, nem de matéria nem de significado; nem há espaço imutável. Nada é mais dinâmico do que o espaço por que ele vai sendo construído e destruído, permanentemente, seja pelo homem, seja pelas forças da natureza. É nessa legitimidade de algo efêmero, imprevisível e caótico que o cotidiano se revela para uma reflexão sobre o espaço ocupado e do tempo histórico vivido pelo sujeito e seus objetos.


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(1)Edmilson Ribeiro é docente no ensino superior e mestrando em educação.
(2)Para mostrar a única possibilidade de existência desses termos em que um tem relação com o outro e só existe nesta relação, Nilda Alves os juntou em uma única palavra.
(3)Idem
(4)Ibdem


... Quando, o Dr. Reigota na última aula do seminário pegou o texto do Edmilson, (meu colega de classe) por julgar muito bom, para lê-lo para nós, eu sabia que ia rir... Edmilson, sempre tem umas tiradas ótimas, sempre desarticula todo o pensamento, e se você estava certa sobre um assunto, acredite, ele dá um jeito de sem querer, te tirar esta certeza, com seus comentários... Administrador, de formação, inicialmente, se achou um peixe fora d´gua, na Educação, no entanto, contrariamente, eu sempre achei que ele estava é lugar certo mesmo... rs...
Mas enfim, enquanto Dr. Reigota lia, e em alguns pontos ríamos, pois o grupo já tem suas piadas internas, fui percebendo o quanto delicado era o texto, o quanto tudo aquilo éramos nós, e olhando para cada rosto daquele círculo, meu coração foi apertando, e entendi que as despedidas já começaram, e que todos eles já são muito importantes pra mim...

terça-feira, maio 24

JANE AYRE DE FUKUNAGA



....Quero muito assistir a este filme! As irmãs Brontë, acompanharam minha adolescência... Amei profundamente, Heathcliff e Rochester! rs... Claro, não mais que Gilliat - meu grande amor (Victor Hugo).
Das três, sempre gostei mais da Emily... Sem brincadeira, aos dezesseis anos, lia e relia "Morro dos ventos uivantes"... Um dia deixei cair minha mochila entre as pedras do Emissário Submarino  (Santos). Achei que conseguiria pega-la entre o refluxo das ondas, desci, e fui jogada contra as pedras pela força das aguas, saí toda machucada, os braços cortados, mas o que mais doia era que lá dentro estava "o morro dos ventos uivantes" ...
Charlotte e Emily mais que Anne, deram-me representações masculinas, muito fortes e muito diferentes do meu meio e do meu tempo, na adolescência... Agora acho graça, mas quando guria, era uma tragédia... Fechava o livro e suspirava...Abria os olhos e ao meu redor havia solamente guris com espinhas, bermudão e prancha na mão...rs.




PS- À Helen Calaça, provavelmente a guria que mais conheça as obras das irmãs Brontë! Muita saudade!



sábado, abril 30

MEU AMOR PLATÔNICO


Estou morrendo de sono, mas feliz... Terminei de ler nesta madrugada, República (Platão)...Muito, muito bom!!! Assim... Tenha paciência até a página vinte e cinco... Ai, ai, pensei; "Será que meu professor, sabia realmente o que estava falando quando disse que seria MUITO importante que eu lesse este livro... Sócrates é um chato e Polemarco um bobo." Mas aí... Surge, Trasimaco!!! Ateia fogo na conversa, quebra tudo!!!!
Relato de Sócrates:

"Eu e Polemarco retraimo-nos, assustados, enquanto ele, erguendo a voz, disse:- Que insensatez vos empolgou, a ambos, tanto tempo, ó Sócrates? E por que representais o papel de néscios em mútua complacência? Se realmente desejas entender o que é a justiça, não te limites a levantar questões e refutar espetacularmente as respostas que lhe dão - pois bem sabes que é mais fácil fazer perguntas que achar-lhes resposta - mas responde-me tu mesmo e dize-me o que entendes por justiça, e não me venhas defini-la como obrigatória, ou vantajosa, ou proveitosa, ou lucrativa, ou conveniente;mas, seja qual for tua definição, formula-a clara e precisa; e não tomarei a sério tua resposta, se me sais com baboseiras das tuas."

Enfim, o livro realmente é belíssimo!!!! O capítulo nono eu li e reli...Perfeito!!!
É uma obra utópica, de um ideal ético de Estado entretanto os vínculos que ligam os destinos das pessoas ao destino da cidade é o que o torna atemporal, e sublime.
Bom, é isso... Agora vou ao fichamento! Ah, a irônia da história : Acabei me apaixonando platônicamente pelos sofistas...rs...
Bom final de semana a todos!!!Obrigada pelos e-mails, pelo carinho...

sábado, abril 23

FAZENDO AS PAZES COM NIETZSCHE


Acabei de ler Crepúsculo dos Ídolos, ou como se filosofa às marteladas, como bem diz nosso colega Nietzsche... Há muito eu tinha me afastado dele, tanto que acabei dando todos os livros, minto; fiquei com "Assim falava Zaratustra" e "Para Além do Bem e do Mal".
...A frase: "Deus está morto" e seu profundo desprezo pelas mulheres, fez com que eu o abandonasse as traças, ao ostracismo total...Quase como um castigo, eu deixava Zaratustra ao lado de "O Mundo de Sofia" ( Jostein Gaarder  - me perdoe aos que gostam do livro...).
Contudo, agora que estou estudando o contexto histórico e sua relação com as idéias filosóficas, pude dar um passo em direção a ele...
Bom, inicialmente o livro não foje a regra Nietzsche X ... Sim, ele sempre arranja alguém pra detonar... No caso foi Platão! Suas palavras: "covarde, embusteiro..." acredite, são apenas um preâmbulo... Mas senti, um grande progresso; elogios a Tucídides!!!Não sei que é, mas vou pesquisar...
Mas, enfim, o que foi legal mesmo é que finalmente nos encontramos em um ponto que apesar de ainda termos divergências, percebo que ele me ajudará... Será o contra-ponto de toda a minha pesquisa... Mesmo em relação a beleza (tema central do meu estudo) ele não é um homem de amenidades...E digamos... Ele também não é nenhum pouco politicamente correto...
Bom, é isso... mais um fichamento...acho que já posso dormir... Deixo com vocês as máximas do meu antigo, novo coleguinha...

"Considera-se profunda a mulher-porquê? Porque nela jamais se chega ao fundo. A mulher não é nem sequer superficial."

Para mim eram degraus, servi-me deles para subir, -para isso tive que passar sobre eles. Porém pensavam que eu queria pôr-me a descansar sobre eles...'

Ajuda-te a ti mesmo: então todos os outros te ajudarão. Princípio do amor ao próximo...

Ok,ok,ok... Estou sendo rancorosa e manipuladora, ele tem frases ótimas no livro:

"...Sócrates esteve apenas doente durante longo tempo... ( ele sabia ser irônico - rs....)

"Igualdade para os iguais, desigualdades para os desiguais- este seria o verdadeiro discurso da justiça"

E por fim: "Goethe é o último alemão pelo qual eu tenho respeito"

quinta-feira, março 31

TODA HORA É HORA DE VIRGINIA WOOLF



Cauê Hernandes do Amaral completou recentemente 16 anos. Aliás, 16 é o número de obras que possui uma das mais importantes e talentosas escritoras britânicas, Virginia Woolf, que há exatos 70 anos vestiu um casaco, encheu seus bolsos com pedras e entrou no Rio Ouse, afogando-se. Mesmo com a pouca idade, Cauê é fã de Virginia, o que prova que mesmo passado tanto tempo, a escritora, que inspirou uma legião de outros bons escritores, continua atual.
O jovem, que já leu a maior parte das obras da escritora traduzidas para o português, desconhecia a data do suicídio de Virgínia, 28 de março (ontem), mas não a data de nascimento, 22 de janeiro. Muito mais significativo para alguém que, há três anos, se rendeu ao que chama "fluxo de pensamento" da escritora (técnica conhecida como "fluxo de consciência" que consiste em explorar a temática psicológica; o termo foi apropriado da psicanálise).
Dignosticada como depressiva, Virginia conseguiu escrever, entre outras coisas, um daqueles romances que viram obra-prima, o livro "Mrs. Dalloway". E foi através da adaptação da vida de Woolf enquanto escrevia o romance, que acabou chegando aos cinemas como o filme "As Horas", baseado na obra homônima de Michael Cunningham, que Cauê começou a se interessar pela escritora.

As Horas de Woolf
Era 2008, quando Cauê assistiu ao filme "As Horas" pela primeira vez. Na ocasião, a produção foi recebida pelo garoto sem muitos alardes. Logo mais, voltou a assistir e começou a se atentar mais para o enredo. Depois, vieram muitas outras sessões, até que, não satisfeito, foi atrás de mais informações sobre aquela mulher. Assim, iniciou sua pequena e particular coleção que vai de biografia à clássicos, passando por livros do início da carreira da autora, ainda sem o peso da escrita dos últimos livros.
Começou com "As ondas" e agora aguarda uma caixa comemorativa com alguns livros que faltam à coleção - presente de aniversário que ganhou do pai -, que deve chegar na segunda quinzena de abril. Já leu todos e, diferente da maioria, não classifica "Mrs. Dalloway" como seu preferido. O romance narrado em um dia não arrebatou o jovem, que prefere "As ondas". Aliás, como bom conhecedor, reforça a paixão de Virgínia pela praia.
Os anos de envolvimento com a obra da escritora também o permitiram a liberdade de, hoje, dizer tranquilamente que não consegue mais ver Virginia Woolf na interpretação que Nicole Kidman fez para "As Horas" (e lhe rendeu um Oscar). Para ele, o enredo consegue ser um tanto simplista ante o talento e os tormentos da escritora.

Começando em casa
O jovem conta que, devido a sua paixão, acabou apresentado a escritora aos amigos. Hoje, trocam livros de Virginia e mantêm um círculo da leitura que foge do padrão da chamada literatura juvenil. Aliás, em sua biblioteca, estão outros nomes como Woody Allen, Marcos Rey e Érico Veríssimo.
Claramente tendo Virginia como maior ícone literário, reforça que o hábito de leitura não nasceu do nada, ou foi fomentado na escola. "Meu pai e minha mãe sempre leram", recorda, esclarecendo que o momento destinado à leitura, em sua casa, é tão sagrado quanto o da refeição.




Este texto é da jornalista Maíra Fernandes (saudades de ti, guria...) publicado ontem, no jornal Cruzeiro do Sul (Sorocaba) e li com uma alegria imensa pois Cauê, é filho do Júnior, meu grande amigo; e conhecendo o pai, fica fácil de entender a trajetória do filho.
Continuei a ler o jornal, de trás pra frente ( não me pergunte por que faço isso...) e heis que encontro outro texto, muito bom, dessa vez do meu orientador, Prof. Dr. Luis Fernando Gomes, e lendo este, um delicado rizoma se formou, e eu pude enxergar de forma global a epistemiologia do conhecimento, como "ondas" que rebentam uma pós outra, se sobrepondo harmoniosamente. 

...Porém, nem sempre essa aprendizagem ou esses interesses ocorrem no âmbito da educação formal, que, sabemos, cobre apenas uma parte da nossa formação. De fato, a aprendizagem não-formal é um aspecto extremamente relevante em nossa experiência de aprendizagem, Há uma escola fora da escola.  

sábado, janeiro 15

BUDAPESTE


Terminei de ler Budapeste anteontem, acho eu! Gostei muito... Leitura fluída, em um enredo muito bem engendrado!
Ao ler Budapeste, relembrei de uma conversa com uma pessoa (alguém ligado ao teatro...Quem????) que queria comprar os direitos de uma peça para montar... ou uma coisa assim, bom mais enfim, sequer lembro da pessoa, muito menos irei lembrar o nome da obra... Só sei que era sobre dois homens completamente opostos, que viviam no período da  renascença, um primava pelo conhecimento e o outro pelo corpo. Em uma negociata, o primeiro comprou o corpo do segundo, na intenção de enxertar sua cabeça (mente privilegiada) em um corpo com todos os ideais de beleza! Conclusão; os anos passam e os dois homens se encontram e testificam que seus corpos exprimem naquele momento, exatamente suas antigas ações. O homem cuja cabeça era intelectual, destruiu seu  novo corpo em noites e noites de exaustivos estudos, má alimentação e bebidas, já aquele que possuía a cabeça que previlegiava os cuidados com o corpo, continuava sem adquirir grandes conhecimentos no entanto, cuidou do corpo doente que recebeu, e este encontrava-se perfeitamente belo...
O que esta história tem haver com Budapeste? É que o personagem principal, (narrado na primeira pessoa), José Costa (um individualista nato) constrói e desconstrói sua história, para em um fim surpreendente descobrir que se repetiu! Entretanto, neste caso o desfecho é surpreendente e cruel... Não, não vou contar o fim... Não sou dessas pessoas... Ok, você, venceu!!! Brincadeirinha...rs...
Só uma ressalva ao encontro de José Costa, com o filho já adulto (Joaquinzinho), em uma loja de sucos no Brasil, meio Janet Clair!!!  Mas aqui pensando, nos olhos do Chico... Perfeito, perfeito, pura licença poética... Retiro o que eu disse! Não está mais aqui quem falou...
De tudo a oralidade é impactante! Eu que de Budapeste, só sabia que era uma vez; Buda de um lado e Peste do outro e um "riozinho" no meio, apaixonei-me por Danúbio...
Pelos cafés, confeitarias, pães de abóbora...Paris do leste...

Fora da Hungria não há vida, diz o provérbio, e por tomá-lo ao pé da letra Kriska nunca se interessou em saber quem tinha sido eu, o que fazia, de onde vinha.

...Danúbio, negro, silencioso. Levava bom tempo para me convencer de que ele se movia.

Houve um tempo em que, se tivesse de optar entre duas cegueiras, escolheria ser cego ao esplendor do mar, às montanhas, ao pôr-do-sol no Rio de Janeiro, para ter olhos de ler o que há de belo, em letras negras sobre fundo branco.

...Como se esquece o dia de ontem e se retêm as lembranças mais profundas.Mas para quem adotou uma nova língua, como a uma mãe que se selecionasse, para quem procurou e amou todas as suas palavras, a persistência de um sotaque era um castigo injusto.

Querida Kriska, perguntei, sabes que somente por ti noites a fio concebi o livro que ora se encerra?

...Era em húngaro, única lingua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita.

...Então fui a Copacabana procurar as putas. Pagava para escrever nelas, e talvez lhes pagasse  além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda a concentração.